As comparações surgem desde o nascimento

Quando nasce um filho, as primeiras coisas que as pessoas reparam é nas semelhanças, se a cara é do pai, os olhos da mãe, às vezes, irrita de tantas comparações. A cada visita que recebemos, ora no hospital, ora em casa, lá vem a mesma conversa. Quando mostramos uma foto, ou mesmo quando são vistos por 2 segundos, surgem logo as tais comparações. Considero que há por aí, uma espécie em abundância, com olhares microscópicos, opiniões convictas, sem deixarem margem para dúvidas [acham eles].

À medida que as crianças crescem, as comparações continuam, alargando o ângulo, deixam de ser apenas físicas, passam a ser mais amplas. Se faz castelos na areia é parecido com a mãe porque em pequena também fazia, se gosta de pera é como o pai porque comia às duas e três por dia… Todos falam, opinam, às vezes assisto a verdadeiras pérolas anedóticas!

De uma vez por todas, as crianças têm gostos e vontades próprias, são seres humanos, não foram feitas em laboratórios, se gosta de pera é porque a maioria das crianças gostam, nada tem a ver com a genética. Irra!! Cada criança tem as suas características, pessoais, ímpares, pode e deve ter os seus gostos que nada têm a ver se a mãe, o pai, a avó ou o tio faziam ou gostavam.

Confesso que este tipo de comparações me irrita, bem como todo o tipo de comparações que possam existir, principalmente nas crianças, sim, porque nós adultos já levamos com comparações diárias, direta ou indiretamente. Não gostamos que tenham esse tipo de atitudes connosco, mas muitos, fazem-nas aos próprios filhos, principalmente quando existem dois ou mais irmãos, mas também poderão ocorrer quando há apenas um filho, comparando-o com a bebé da vizinha do lado, o primo ou com o filho de uma amiga.

As crianças crescem com este tipo de observações que se vão multiplicando e alargamento a todo e qualquer tipo de situação. Depois assistimos a crianças com falta de confiança, baixa autoestima, inseguranças, a origem pode estar aqui, nestes pequenos detalhes. Os nossos filhos são únicos, cada um é especial, olhem mais para eles e para aquilo que eles são, sem se preocuparem com A, B ou C.

Ângela Rodrigues

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