Amamentação 

A amamentação sempre foi um objetivo, contudo, tinha inúmeras dúvidas, receios e alguns medos. Nas aulas de preparação pós-parto falámos muito sobre amamentação, como o fazer, a importância, as diferentes fases, estratégias, partilha de ideias e mitos. Realmente há todo um mundo por descobrir quando somos mães, a amamentação é um deles, ao longe e à distância tudo parece simples, mas na realidade não o é, principalmente nos primeiros meses.

Passo a explicar, a amamentação por si só não é difícil, embora nas primeiras duas semanas o corpo ainda se esteja a adaptar, passámos pela fase do colostro, a subida do leite, a sensibilidade nos mamilos, a pega do bebé, no entanto tudo isto rapidamente se vai resolvendo à medida que os dias avançam. Difícil são as opiniões dos outros, de quem visita, de quem é próximo de nós porque há sempre um palpite para dar

É melhor fazeres assim, isso não alimenta, ele chora porque tem fome, experimenta dar outro leite.

É óbvio que quando nos dizem isso, as inseguranças começam a surgir

Será que ela [são sempre as mulheres] tem razão? O que é que eu faço? O problema será do meu leite?

Muitas mães, pela falta de encorajamento, a acumulação de cansaço, acabam por desistir.

Vou falar um pouco da minha experiência para que possa servir de exemplo e motivação para não desistirem de amamentar.  A Clara nasceu muito pequenina, mas uma reguila desenrascada, após minutos de nascer começou a mamar como se sempre o tivesse feito, excelente pega, sem nunca me magoar. Começou aí a nossa história de amamentação, uma história que dura há quinze meses. Nunca pensei que fosse possível, confesso.

Inicialmente amamentava de 2h em 2h de noite e de dia, foram assim as primeiras três semanas, duras devido à privação de sono. Mas sentia uma alegria imensa de chegar ao Centro de Saúde e verificar que ela estava a engordar, o objetivo era esse e estava a surtir efeito, o nosso esforço. O processo de amamentação era longo 1h de cada vez que amamentava, todos me diziam que era muito tempo (sim, era) mas, nós as duas, não sabíamos fazer diferente, ambas nos sentíamos bem e quando assim é, está tudo bem. A Clara continuava a crescer, a balança confirmava e eu sentia-me muito orgulhosa.

Aos 4 meses fui trabalhar, a 50km de casa, não desisti, a bomba passou a ser a minha melhor amiga, conseguia tirar o leite no trabalho e deixar para o dia seguinte. Houve dias muito difíceis, com o stress, a ansiedade, não conseguia tirar nenhuma gota de leite, sentia-me triste, mas no dia seguinte voltava a tentar e voltava a correr tudo bem. Andámos nisto longos meses, até que chegou o momento de ela apenas mamar de manhã e à noite, temi e pensei que seria impossível. Não foi. Continuo a ouvir “deixa de lhe dar de mamar, já não precisa”, deixarei quando ela quiser, será ela a definir esse prazo, até lá continuamos a ter o nosso momento, de união e de puro amor.

Ângela Rodrigues

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