Artéria umbilical única 

A gravidez corria bem, estávamos muito tranquilos, após a ecografia das 12 semanas esperávamos ansiosamente pela próxima, às 20 semanas, a chamada ecografia morfológica. Os médicos diziam que era a mais importante de todas, onde analisam tudo, tim tim por tim tim. Embora nos dissessem isso, na nossa cabeça, apenas, cintilava é rapaz ou rapariga? Nunca achámos, em momento algum que algo não estivesse a correr bem.

O dia chegou, jamais me esquecerei 23 de dezembro de 2014, nas vésperas de Natal. Hospital de S. João, instalações ruidosas e pouco arejadas, corredor estreito em pré-fabricado, consultório pequeno, uma médica da velha guarda, atenta a todos os pormenores. Do nada, ouvimos “papás, apenas tem uma artéria”, parou tudo, congelámos naquele exato momento. De imediato questionámos e a resposta foi dada, artéria umbilical única, a bebé supostamente deveria ter duas e apenas tinha uma para ser alimentada. As palavras ecoaram nos nossos ouvidos “terá de ser seguida mais de perto para vermos a evolução”, ficámos quietos, imóveis, não queríamos ouvir aquelas palavras, não estávamos preparados para tal.

Corremos para casa, trocámos poucas palavras, apenas dissemos que não iríamos dramatizar que tudo correria bem. Fomos para junto dos nossos, ficaram em silêncio, tal como nós quando recebemos a notícia. Não sabíamos o que fazer, fomos ao amigo Google, (por mais que nos avisassem para não o fazer) a pesquisa durou 5 minutos, de tão assustador que era o que estávamos a ler. Não voltámos lá. Confiámos nos médicos que nos seguiram, principalmente no Doutor Pedro Batista, que sempre teve a capacidade de nos tranquilizar, de suavizar a nossa ansiedade. Obrigada pelo seu profissionalismo exímio, pela entrega e por ter estado sempre lá.

Este episódio condicionou toda a gravidez, no que respeita à atenção, à preocupação quer da nossa parte, quer da parte dos médicos, passámos a ser ultra vigiadas quinzenalmente, semanalmente e no último mês quase diariamente. Com o decorrer dos meses fomos percebendo que a bebé estava bem, apenas o peso era um problema. Seria uma bebé mini mini que cresceria cá fora.

E assim foi, a Clara nasceu com 2,320kg e 46 cm. No momento em que soubemos o seu peso real, respirámos de alívio e só pensámos que afinal não era tão pequena como se esperava, visto que três dias antes calculava-se que ficaria pelo 1, 900kg.
No final correu tudo bem, a Clara era pequena, mas muito reguila e despachada, mamava muito bem, o seu peso começou a aumentar dia após dia. Escrevi este texto com o objetivo de tranquilizar o coração de vários pais que estão a passar por a mesma situação, lembrem-se vai correr tudo bem, a Clara e tantas outras Claras são o exemplo disso.

Ângela Rodrigues

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