A importância dos avós

As memórias que guardo da minha infância levam-me aos meus queridos avós e a Lagoaça, uma pequena aldeia, banhada pela luz do rio Douro e coberta pelo verde acastanhado dos montes transmontanos. Os dias quentes das férias de verão eram passados naquele cantinho encantado, feito para as crianças serem livres. Eu fui.

Os dias eram longos, recheados de aventuras e preenchidos a andar de bicicleta, a correr desenfreadamente, a fazer desfiles pelas ruas com os saltos altos da avó, saias e camisas, a andar descalça, a passear de carroça, a dar milho às galinhas, a calcar as vagens secas, a apanhar figos, a assustar as rãs nos riachos, a ver o pôr-do-sol [o mais lindo que já vi], a contar as estrelas, a ouvir histórias de há muito tempo atrás, a apanhar sol, a ouvir os grilos a cantarolar…

Era um tempo de amor, um tempo de avós e netos.

A importância que os avós têm na vida das crianças é deixar-lhes, no coração, pequenas pegadas de amor que levarão para o resto das suas vidas, transmitindo-lhes, um nível tão elevado de aprendizagens e vivências que nenhum ser o conseguirá transmitir da mesma forma, isto porque os avós são avós numa altura especial das suas vidas. O ninho está vazio há muito tempo e desejam que alguém o venha preencher com gargalhadas, travessuras, risos safados, birras, abraços e cócegas. Os netos aparecem num momento das suas vidas, em que sabem, claramente, que o tempo passa muito rápido, portanto o melhor é aproveitar cada segundo, cada choro, cada mimo.

É este amor especial, doce e ternurento  que deixa marcas inapagáveis na vida de qualquer criança, marcas essas que ficaram gravadas no meu coração de filha, neta e agora de MÃE. São essas marcas que desejo que a Clara, um dia também as guarde no coração e que reserve lá, um lugar especial, coberto de amor doce, um amor que só os avós conseguem transmitir, com cheirinho a memórias, recheadas de abraços, beijos suaves, torradinhas quentes e olhares meigos. São assim os avós.
Ângela Rodrigues

Comentários

Comentários