As temíveis cólicas do bebé

As malditas e temíveis cólicas, tive a infelicidade de me cruzar com elas após três semanas do nascimento da Clara. Tudo corria lindamente, dormir, comer, jatos incríveis de caca, belos repuxos de xixi,  mudas de fraldas aqui, acolá, aqui, acolá, aqui, acolá [muitas e muitas mudas de fraldas] e por momentos passam-nos pela cabeça ideias tolas

Mas será que vamos ser aqueles pais, ultra abençoados e ela não vai ter cólicas? Será gente?!

Bem, não foi bem assim.

Após 17 dias de sossego, as malditas chegaram e não vieram sorrateiramente, vieram num ataque mortífero, disparando gritos, gemidos, por todos os quatro cantos desta casa. E a que horas? Em plena madrugada, longas e longas horas de choro incontrolável, inconsolável. Eram massagens na barriguinha, virar ao contrário, deitar em cima da mamã, do papá, dar maminha, refletir as pernas, dar banho, colocar uma almofada de sementes, embrulhá-la muito aconchegadinha, enfim! Tretas!! Livros e livros que li para nada. NADA resultou! Só faltou fazer o pino.

No dia seguinte, após dormir umas três horas, às oito da manhã, ligo para a pediatra,  corro para a farmácia à espera de encontrar o milagre, a salvação. Vim para casa muito determinada, ora pega lá estas gotinhas e mais estas. Elas não vão voltar, confia, confia, confia…

Mas voltaram! Foram persistentes e diárias até aos dois meses. Nada as travava. A nossa pontinha de sorte é que as malditas, na maioria das vezes, apareciam ao início da tarde e terminavam ao deitar, conseguíamos, pelo menos, dormir algumas horas para regenerar o corpo e a mente.

Hoje, analisando o que ficou para trás, consigo olhar para as cólicas de uma maneira diferente, não com aquela raiva e fúria, com o stress e a ansiedade. Olho para elas como algo inevitável (na maioria dos bebés), tem a ver sobretudo com a imaturidade do sistema digestivo e quanto a isso não há nada a fazer, não há medicamentos revolucionários, mesinhas milagrosas, apenas esperar, dar amor, muito miminho e aguardar que eles cresçam, mantendo a tranquilidade e a certeza que tudo vai passar.

Ângela Rodrigues

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