“Não dês colo”

A expressão “não dês colo” vem desde miúda, sempre fui muito observadora e era comum ouvir esta frase entre os adultos. Algumas vezes questionava, outras ignorava porque nunca percebi muito bem a explicação que me davam. Com o nascimento da Clara, essa expressão voltou a soar-me aos ouvidos.
A Clara tinha alguns dias de vida, como é comum, após o nascimento dos bebés recebemos diariamente familiares e amigos para a visitar. Nessas visitas também é comum surgir um ou outro palpite, opinião ou comentário. Uns ajudam, outros são absolutamente desnecessários.
Numa dessas visitas, o choro instalou-se, nós pais ficámos muito atrapalhados, ainda era tudo tão novo nessa fase. Ora abanámos o berço, ora pegámos ao colo. E lá surgiu a dita expressão “cuidado com o colo porque ela depois fica mal habituada”. A nossa reação foi ficar a olhar, duvidar e continuar a acalmar o nosso bebé.
Ao longo deste ano e meio nunca me preocupei se dava muito ou pouco colo, dei sempre a quantidade que ela e eu precisávamos. Haverá momento mais delicioso que ter um filho ao colo, a senti-lo, a cheirá-lo e a abraçá-lo? Creio que não!

É um momento tão especial e tão nosso que ninguém deveria abdicar dele. É também aquele momento que nos vai fugindo ao longo dos meses, hoje passado um ano e meio, ela ainda pede muito colinho, mas não tanto, como aquele que eu gostava de dar. São colinhos breves, às vezes de alguns segundos porque o que está à sua volta é muito mais aliciante que estar quietinha e calma no colo da mãe. Sinto que o meu colo é trocado com muita frequência por as corridas atrás da bola, da gata, por o brinquedo que solta um som estridente, por o peluche macio ou apenas pela descoberta de mexer em todos os botões da máquina de lavar louça.
Por tudo isto eu digo “deem muito, muito colo”, eles precisam e nós também.

Ângela Rodrigues

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