Beijinhos no dói-dói

À medida que os meses avançam começam a surgir as primeiras quedas, ora bateu aqui, esmurrou acolá. Quando começam a andar as quedas triplicam, quadruplicam, sei lá! O coração da mãe [e de qualquer um] fica logo muito aflito, a pele apenas está vermelha e já vamos buscar compressas, arnica, creme e soro fisiológico. O berreiro e as lágrimas, aos molhos, instalam-se e nada os faz acalmar!

Ora numa das aventuras cá de casa, não me perguntem como, mas neste mísero T2 acontecem episódios do Alasca, lá isso acontecem [risos]. Estava a desgraçada da gata a dormir o seu 1382 sono, muito relaxada no seu sofá, quando é interrompida por uma criatura que aos olhos da gata deve ser um monstro, um bully ou algo do género. Atacou-a puxando-lhe o pêlo, as orelhas, os bigodes, gritando “Juca, ta-tau”, a coitada da gata evitou, respirou fundo, tentou conter-se, mas não foi possível evitar abrir as suas unhas e dar-lhe uma amarfanhada.
Há coisas que os pais não conseguem evitar,  há dores e momentos que queremos viver por eles, por serem duros, difíceis e dolorosos, como o tropeção no paralelo que fez a primeira mossa no joelho, a queda na barra da cama que trouxe a primeira pisadura na cara, o empurrão de outro menino que trouxe o primeiro inchaço, entre outros que vão surgindo e nós pais não temos como controlar.

Mas alto!! Parou tudo.

Descobri [eu e todos] a cura para travar as lágrimas, a dor, o horror!!

Beijinhos no dói-dói.

E não é que os danados dos beijinhos fazem mesmo efeito, no outro dia fui analisar e descobri o seu conteúdo. São feitos de amor, pozinhos de brilho calmante, cobertos de carinho cintilante, rodeados de abraços, gotinhas de água e vozes meigas. É esta a receita milagrosa que vem com cada mãe e cada pai, descobri recentemente que tinha vindo comigo, estava cá guardada, à espera que alguém a despertasse.

Já está desperta e prontinha para acalmar o coraçãozinho mais aflito, medroso e aventureiro.

Tão simples e tão belo.

Ângela Rodrigues

Comentários

Comentários