Brincar na terra, sujar e ser feliz

Ao longo da minha infância tive oportunidade de brincar muito na terra, ver os montes altos ao longe, correr até levantar poeira, andar descalça, sujar-me da cabeça aos pés, apanhar amoras, fazer bolos de terra e decorá-los com flores brancas e amarelas, brincar às casinhas, construir cabanas e esconderijos, apanhar grilos… fui uma criança feliz. Hoje, no papel de mãe procuro proporcionar à minha filha aquilo que me proporcionaram a mim. Valorizo o contacto com a natureza, correr ao ar livre, brincar e rebolar na relva, mexer na terra, tudo isto é importante para que ela cresça saudável.

Aqui por casa, o melhor passeio, o mais divertido e recheado de aventuras é a ida ao quintal dos avós.

É lá que a Clara se sente preenchida porque encontra tudo o que uma criança de um ano e meio precisa TERRA, ANIMAIS, RELVA, FRUTOS E VEGETAIS.

Pede com muita frequência para lá ir e quando lhe digo antecipadamente que lá vamos, já ninguém tem sossego, nesta casa. Fica colada à porta, a pedir para a abrir e a dizer que vai à rua.

As crianças crescem felizes, na terra, a mexer com as mãos, a sujar a roupa, a correr livremente. Se é necessário um dia maravilhoso, quente, solarengo com um ventinho suave para fazer uma atividade ao ar livre e diferente do habitual, NÃO, não é preciso! Basta que tenham a roupa adequada às condições atmosféricas, se está frio coloca-se mais uma camisola ou um casaco, se está vento coloca-se um gorro quente, se está sol, um chapéu, mas deixemo-los ser livres! São momentos únicos que ficarão guardamos nas suas memórias.

Esta é uma aprendizagem que iniciei à medida que a Clara foi crescendo, foi ela que me ensinou que embora as condições atmosféricas não estejam  perfeitas [como referi acima], são muito mais importantes as vivências e as experiências que ela absorve no contacto com a natureza e com os animais que um simples ficar em casa [futurando] “pode ficar doente”.

Ao nível da saúde é extremamente rico na construção de um sistema imunitário forte e saudável. Sempre ouvi dizer “quanto mais se protege e agasalha, pior”. Se há expressões que concordo na totalidade, esta é uma delas. As crianças têm uma mobilidade muito diferente da nossa, mexem-se muito mais, correm, saltam, raramente estão paradas e isto já diz tudo. O frio que nós sentimos é muito diferente do frio que eles sentem.

É tão bom ser criança!

Ângela Rodrigues

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