“Vamos à rua!”

Olha a esperteza da pequena de 20 meses – “mamã, rua”, é isto nos últimos tempos. Cada vez que falamos em sair parece uma flecha de tão rápida e despachada para ir à rua.
Está numa fase que começa a ter vontades e acima de tudo a manifestar essas mesmas vontades. É de rir o abanar de anca a aproximar-se da porta.
Estar em casa a descansar e a descontrair não é uma vontade das crianças, pelo menos cá em casa são raras as vezes. Se anteriormente era difícil [ao fim de semana] sair de casa antes das 5h da tarde, agora, às 10h estamos a sair porta fora. Há todo um mundo à nossa espera e não há tempo a perder. É o mesmo que dizer que há um baloiço de madeira a implorar pela nossa chegada, um escorrega aflito por mais uma aventura, uma bola prontinha a rebolar, um casal de patos ansiosos pelo pão duro e delicioso que gratuitamente lhes é fornecido, mal chegamos ao parque já se ouvem ao longe, lambareiros!
Com tanta adrenalina até eu gostava que me levassem ao parque, à rua ou onde quer que seja.

Haverá algo mais encantador que ver o sorriso de uma criança a entrar num parque de diversões. Sentir o vento a bater-lhe na cara, na descida acentuada de um escorrega. Fazer “dlim, dlão” no baloiço. Cruzar a felicidade, no olhar, com a alegria de outras crianças. Não conheço.

Já virou rotina as nossas idas à rua, às vezes só vamos mesmo comprar pão ou levar o lixo, mas a alegria e a vibração de criança, mantêm-se como se fôssemos para um acampamento, ou o lugar mais especial do mundo.
Constato desta forma que a principal exigência das nossas crianças é sentirem-se felizes. Tento dar o meu contributo!

Ângela Rodrigues

Comentários

Comentários