Não ralhas?!

A pergunta foi esta, vinda de uma criança de dois anos e meio, num momento de puro desafio ao adulto, neste caso, a mim própria!

Nao ralhas?!

A hora do banho é sempre realizada antes de ir para a cama. Logo é um momento de libertação. Passo a explicar, se há disparates que acontecem ao longo do dia, na hora do banho multiplicam-se às dezenas! Parece que há uma espécie de transformação e a miúda vira “badgirl”.

Num desses momentos espetaculares [ou não] a Clara começa a gritar, não sei se perceberam… a gritar, Gritaaaaar, GRITAAAARRRRR. Aqueles gritos que colocam os vizinhos em estado de alerta e a questionarem-se “quando é que este barulho termina”. Gritou uma, duas, três, quatro… dez vezes! A minha reação foi olhar para ela, apenas em silêncio.

Após os seus gritos, a pergunta dela foi – “Não ralhas?” – Entendi imediatamente que era uma chamada de atenção, uma provocação e se eu reagisse, os gritos continuariam, o conflito imperaria, o stress, o choro e a ranheta aumentariam em proporções gigantescas.

A minha reação à sua pergunta e a toda aquela situação foi simplesmente ABRAÇAR, isso mesmo, dar-lhe um abraço forte e sentido.

E tudo o resto se desvaneceu… é incrível o poder de um abraço.

Ângela Rodrigues

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