Há birras! Mas não só!

Ouvimos falar frequentemente que a entrada nos dois/três anos traz as birras, os choros, os gritos, os pontapés, o deitar no chão, enfim, tudo a que as famílias têm direito. Embora cá por casa também sejamos brindados com alguns ataques de birras, o melhor mesmo é centrarmos a nossa atenção no positivo e nas fantásticas atitudes provenientes dos seus três anos de idade.

À medida que os anos vão avançando [por cá estamos com 3 anos] é cada vez mais delicioso observá-la, escuta-lá e acompanhá-la. O seu desenvolvimento físico deixa-nos pasmados, o que há dois meses atrás não fazia, agora parece um às dos saltos, das quedas e cambalhotas. O diálogo que apresenta em diversas situações é para lá de surpreendente, verbaliza palavras que não fazemos ideia onde as ouviu, aborda temas que nos deixam pasmados e diz-nos frases tão sentidas e vindas do seu coração sincero, como por exemplo “mamã, tive tantas saudades tuas”, “eu compreendo, não faz mal”, “sou tão feliz contigo” ou ainda “eu também quero trabalhar como a mamã e o papá”, “podes ler uma história à Clara? Podes, podes?”, “és perfeita para mim”.

São estes momentos tão ricos que nos preenchem e enriquecem esta etapa, também fazem esquecer ou atenuar as birras que ocorrem nesta fase porque elas existem e se existem! Nós pais tentamos é dar atenção, destaque aos momentos positivos e de crescimento.

No entanto, a birra também é crescimento. É traçar a personalidade da criança perante as adversidades ou contrariedades.

Na vida haverão muitas adversidades e muitas vezes a birra é apenas espelhar a forma como ela se vai impor perante esse problema.

Se agora a birra acontece porque quer comer um gelado e nós dizemos um NÃO, mais tarde acontece porque os ideais em que acredita não foram aceites  ou lhe destruíram o sonho ao qual ela tanto se dedicou. Como é que ela vai reagir? Complacente? Inerte? Ou vai à luta questionando, refilando, mostrando o seu desagrado e a sua tristeza? É  a segunda opção que queremos que ela tenha porque estamos a educar um ser humano com sentimentos e com capacidade de saber dar a volta por cima.

É por tudo isto que continuo a achar que as birras são tão importantes. Elas contribuem para TODOS crescermos e evoluirmos.

Ângela Rodrigues

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